O último dia das Festas de São João de Braga voltou a reunir milhares de pessoas em torno das celebrações religiosas, culturais e populares que, ao longo de vários séculos, fazem desta a mais antiga festa sanjoanina do país. Entre cerimónias litúrgicas, manifestações de devoção, momentos musicais e o tradicional espetáculo de encerramento, a cidade despediu-se de mais uma edição das festividades com um profundo sentimento de identidade e pertença.
A manhã começou com o tradicional Cortejo Sanjoanino com o Carro das Ervas, Rei David e Pastores, uma das expressões mais singulares das festividades bracarenses, que voltou a percorrer as ruas da cidade evocando personagens e símbolos profundamente ligados às tradições de São João.
A componente religiosa assumiu um papel central com a realização da Eucaristia Solene do Nascimento de São João Baptista, no Largo de São João do Souto, animada pelo Orfeão de Braga, e da celebração eucarística no Parque da Ponte, presidida pelo Arcebispo Primaz de Braga, D. José Cordeiro, e animada pelo Grupo Coral de Santo Adrião. A manhã contou com uma visita especial: Marcelo Rebelo de Sousa, antigo Presidente da República, juntou-se a estes primeiros momentos das festas sanjoaninas.
Ao longo do dia decorreram vários concertos das Bandas Filarmónicas, que contribuíram para a animação das celebrações e mantiveram viva uma das mais enraizadas tradições musicais associadas ao São João de Braga.
A programação integrou ainda a tradicional homenagem ao Mestre Veiga, evocando uma das figuras mais marcantes da história das festividades sanjoaninas e prestando tributo ao seu legado na preservação das tradições populares de Braga.
A cidade saiu à rua para honrar São João Baptista
Ao final da tarde, milhares de pessoas acompanharam a Transladação do Andor de São João em direção à Sé Primaz. Pouco depois, a passagem do andor pelo Largo do Paço voltou a ser assinalada pela tradicional Aclamação das Flores, momento particularmente emotivo que incluiu a surpresa deste ano, o tapete de flores, e a entoação do Hino de São João de Braga. Na Sé Catedral, decorreu em paralelo a Eucaristia Solene em honra de São João Baptista.
Seguiu-se a Soleníssima Procissão de São João Baptista, uma das manifestações religiosas mais emblemáticas da cidade, que reuniu centenas de figurantes, entre os quais 163 anjinhos, dez andores e representações de santos associados ao mês de junho, bem como dos padroeiros de Braga. O cortejo percorreu as ruas do centro histórico perante milhares de pessoas, encerrando uma das mais marcantes expressões de fé e devoção das festividades sanjoaninas.
O dia culminou com os tradicionais momentos de Despedida a São João, protagonizados pela Associação Cultural e Festiva “Os Sinos da Sé”, na Sé Catedral, e pela Rusga de São Vicente, acompanhada pela Banda Musical de Cabreiros, na Igreja de São João do Souto, assinalando simbolicamente o encerramento das celebrações religiosas.
Entre a emoção da despedida e a celebração da música
A noite trouxe ainda um dos momentos mais aguardados da programação cultural, com o concerto de Miguel Araújo, que reuniu milhares de pessoas na Avenida Central para um espetáculo marcado pela proximidade com o público e por alguns dos temas mais conhecidos da música portuguesa contemporânea. O cantor português terminou o espetáculo ao som de “Talvez se eu Dançasse”, obtendo uma resposta à altura dos milhares de bracarenses que assistiam entre muita cantoria e dança.
Logo após o fim do concerto, o céu de Braga iluminou-se com o tradicional Espetáculo de Pirotecnia de encerramento, uma grandiosa sessão piromusical que assinalou o adeus às Festas de São João de Braga de 2026. Entre aplausos, emoção e muita cor, o espetáculo marcou simbolicamente o “até para o ano” das sanjoaninas bracarenses.
Com uma programação que uniu fé, património, cultura e comunidade, o último dia das Festas de São João voltou a demonstrar a singularidade de uma celebração que atravessa gerações e continua a afirmar-se como um dos mais importantes símbolos da identidade bracarense. Ao cair do pano sobre mais uma edição, fica a certeza de que o São João permanece vivo na memória coletiva da cidade e de todos aqueles que, ano após ano, ajudam a construir esta tradição secular.