Música, folclore e tradição popular marcaram o terceiro dia das Festas de São João de Braga

O terceiro dia das Festas de São João de Braga ficou marcado pela celebração da cultura popular e das tradições minhotas, com um programa que reuniu música, folclore e expressões culturais profundamente enraizadas na identidade da região.

A jornada começou com a habitual Novena a São João Baptista, na Igreja de São Lázaro, preservando a dimensão religiosa das festividades e a devoção ao santo padroeiro das celebrações.

 

Tradicionais barraquinhas, uma das principais novidades desta edição, foram inauguradas

Uma das grandes novidades da edição de 2026 do São João de Braga foi o regresso das tradicionais barraquinhas à Avenida da Liberdade, inaugurado hoje no final da tarde.
Instaladas ao longo da principal artéria da cidade, as 27 barraquinhas apresentam-se como um espaço de promoção do movimento associativo local, permitindo às associações das várias freguesias do concelho dar a conhecer o trabalho desenvolvido ao longo do ano e reforçar a sua ligação à comunidade.

Desenvolvida em articulação com as juntas de freguesia e com o projeto Human Power Hub, a iniciativa conta com a presença de representantes das associações das freguesias de Braga (São José de São Lázaro e São João do Souto, São Vicente e São Vítor), Este (São Pedro e São Mamede), Merelim (São Paio), Panóias e Parada de Tibães, Merelim (São Pedro) e Frossos, Morreira e Trandeiras, Nogueira, Fraião e Lamaçães, Palmeira, Priscos, Santa Lucrécia de Algeriz e Navarra, Sequeira, Sobreposta e Tadim, bem como do próprio Human Power Hub.

Mais do que um espaço expositivo, as barraquinhas contribuem para a criação de um corredor de animação entre o Centro Histórico e o Parque da Ponte, reforçando o papel central da comunidade nas celebrações sanjoaninas.

 

Música tradicional assumiu destaque neste 3º dia da maior festa popular do país

No final da tarde, a iniciativa “Cavaquinho na Escola” voltou a destacar o trabalho desenvolvido com as gerações mais jovens para a aprendizagem e valorização dos instrumentos tradicionais portugueses.

A música tradicional voltou a marcar presença com a atuação do Grupo Folclórico Dr. Gonçalo Sampaio. Através da música, da dança e do traje tradicional, o grupo apresentou ao público um importante legado cultural que continua a ser transmitido de geração em geração e que, este ano, comemora o seu 90.º aniversário.

Em paralelo, no Parque da Ponte, a animação fez-se com os tradicionais Cantares ao Desafio, uma das mais genuínas manifestações da cultura popular minhota. Esta edição foi apadrinhada por Borguinha de Braga e Naty Vieira.

Ao longo da noite, 11 artistas do Minho e do Alto Minho subiram ao palco, proporcionando momentos de improviso, humor, tradição e interação com o público. Juntaram-se aos padrinhos da iniciativa: Carlos Ribeiro (Guimarães), Liliana Oliveira (Guimarães), Pedro Mendes (Penafiel), Gonçalo Moreira (Póvoa de Varzim), Daniel Sousa (Arcos de Valdevez) e Maria Celeste (Ponte da Barca). A acompanhá-los estiveram Pereirinha (Lixa), com a sua concertina; Xico Malheiro (Vila Verde), com o seu cavaquinho; e Zeca Torres (Braga), com a sua viola baixo.

O programa contou com um concerto de Daniel Pereira Cristo. Reconhecido pela forma como cruza a música de raiz portuguesa com sonoridades contemporâneas, o músico bracarense apresentou um espetáculo inédito para celebrar a diversidade da música portuguesa independente, mais de uma década da sua carreira em nome próprio e o novo álbum – “Malva Globo” (Disco Antena 1). O concerto foi o primeiro das festas a contar com tradução em Língua Gestual Portuguesa.

O músico bracarense partilhou o palco com alguns dos nomes mais sonantes da música portuguesa: a voz icónica de Luís Portugal, o virtuosismo de Pedro Jóia, a voz e alma de Ana Laíns, e a tropicalidade de Luanda Cozetti na voz e de Norton Daiello no baixo (dos Couple Coee), num encontro único, sob a direção artística de Hélder Costa.

Ainda durante a noite, o Sarau Cultural animou a Avenida Central. Integrado no XXXV Encontro Internacional de Gigantones e Cabeçudos, o espetáculo trouxe à cidade grupos de percussão locais e a estreia do projeto “Os Cabeçudos”, uma colaboração entre Slamtype, Cozta e a associação Ida e Volta.

Com uma programação marcada pela música, pelo folclore e pelas tradições populares, o terceiro dia das Festas de São João de Braga voltou a demonstrar a capacidade da celebração em preservar evalorizar o património cultural da região, proporcionando momentos memoráveis de partilha, identidade e proximidade entre a comunidade.