Rusgas

Aquilo que hoje chamamos de cortejo, devidamente elaborado e orientado pela associação organizadora das festas, foi em tempos sinónimo da espontaneidade do povo bracarense. 20140623_WAPA_HD_3033 copy As romarias foram e são vividas de forma intensa pelo povo, e nas tradicionais e mui antigas festas de S. João de Braga participavam não só as pessoas que viviam na cidade mas também os habitantes das zonas rurais de todo o município. Os diversos grupos de romeiros, chegados das aldeias, juntavam-se no centro da cidade e, ao início da noite, iam em cortejo até ao parque da Ponte, sempre cantando e dançando enquanto desciam as embandeiradas e iluminadas ruas das Águas e da Ponte. Principalmente de cariz rural, estes grupos percorriam as léguas que separavam a sua aldeia da cidade de Braga, das quais partiam à tardinha, imediatamente após a jorna. As mulheres, envergando o seu traje de romaria, traziam, à cabeça, os destacados merendeiros que haviam de servir de sustento até ao dia seguinte, e os homens, com seus cajados e chapéus, tocavam concertina, reco-reco, ou o tradicional e bracarense cavaquinho. Era uma caminhada de alegria e festa, marcada pelos cantares em louvor do Santo Percursor, com rimas e quadras nas quais eram gravadas as tradições e os aspetos mais elementares do quotidiano rural bracarense. 20140623_WAPA_HD_3053 copy Este cortejo, atravessando o quilómetro de festa que liga o coração da cidade ao cerne do arraial – a avenida da Liberdade – chegava ao parque da Ponte. Aí, junto à tribuna da “capelinha”, os romeiros depositam a sua promessa e levantavam a pagela que haviam de prender à fita do chapéu. Tentando reviver este ambiente, realiza-se atualmente o Cortejo das Rusgas, que marca programa da noite de S. João em Braga. Sabemos que nos programa relativo ao ano de 1942, já se organizava um cortejo desde o edifício do Turismo até ao parque da Ponte, onde apenas é citada a presença das bandas filarmónicas. Seis anos mais tarde, em 1948, surge pela primeira vez a menção a um desfile das rusgas das aldeias, sendo frequente, a partir daí, citar-se a presença de ranchos folclóricos, ou “ranchos das aldeias”, a acompanhar o cortejo.

 

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