Carros das Ervas, Pastores e Rei David

 

CARRO DAS ERVAS:

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O Carro das Ervas é uma tradição medieval cujo objectivo era perfumar as ruas com ervas de cheiro, de forma a purificar os locais por onde passavam os cortejos e procissões. Este ano surge, como em tempos idos, representado em um carro de bois.

 

DANÇA DO REI DAVID:

A dança do Rei David é outra das tradições mais relevantes das festas de São João em Braga!

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Constituída por 13 elementos, um dos quais o Rei David, que se destaca ao centro. O grupo está dividido em duas filas de seis elementos cada. Cada fila tem um guia, cuja missão é iniciar a dança e interagir com o Rei. A melodia que acompanha a dança é constituída por “duas partes de doze compassos binários”.

Segundo José Gomes, a música atualmente utilizada é oitocentista, devendo-se a sua autoria a um monge agostinho do Convento do Pópulo. Quanto à dança, o mais caraterístico é um passo tipo polca, em que uma das pernas está elevada com o joelho dobrado sobre a cinta, enquanto a outra suporta o peso total do corpo.

Frequentemente associada ao auto do Carro dos Pastores, tem também origem nos quadros exibidos nas procissões sanjoaninas do período barroco, discutindo-se a influência que poderá ter recebido da Mourisca, com cuja configuração detém semelhanças.

Trata-se, provavelmente, da tradição mais antiga associada aos festejos bracarenses, tendo mantido uma regularidade assinalável quer quanto à música, quer quanto à forma.

A origem da dança do Rei David, que já se tornou no maior ícone das festas sanjoaninas, continua até hoje por apurar. São muitas as vozes que atiram a sua origem para o século XVI, nomeadamente para a Mourisca, tradição que já abordamos e que nasceu associada às celebrações do Corpus Christi. Esta tradição chegou aos nossos dias, pois, durante várias gerações, foi conservada por uma família da freguesia de Palmeira, que orgulhosamente a foi transmitindo de pais para filhos.

O protagonista da dança representa a destacada figura bíblica do pastor que se tornou monarca do Povo de Deus ao derrotar o Golias: o Rei David. Diz-nos José Gomes, que existe uma referência documental à dança do Rei David datada de 1726, na qual se refere que esta dança deveria ser levada a cabo pelos correeiros, sirgueiros, pasteleiros e palmilheiros.

 

 

CARRO DOS PASTORES:

 

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O Carro dos Pastores é uma tradição com origem provável no século XVIII, sendo uma típica representação teatral, posterior à fundação do teatro moderno. A sua preexistência, é citada na “Relação do Festivo Aplauso”, documento que descreve a constituição de uma grandiosa procissão em honra de São João Baptista no ano de 1754.

Os diversos atos que compõem esta peça teatral, representada num carro forrado a cortiça e totalmente decorado com ervas e flores, referem-se ao nascimento de São João Baptista, o momento recordado pela liturgia deste dia. Neste palco sobre rodas, são representadas cenas bíblicas como o aparecimento do anjo a Zacarias que, conjuntamente com sua esposa Isabel, há muito desejava um filho, facto que se tornava cada vez mais utópico devido à idade avançada dos dois. O anjo anunciou e Zacarias não acreditou, ficando surdo e mudo até ao final do ato. O anjo volta aparecer para anunciar o nascimento de São João que, sorridente, aparece “destapado” por uma placa metálica causando um burburinho na multidão que assiste.

Toda a representação é marcada pelos cânticos e danças dos pastores, seis rapazes e seis raparigas, vestidos com trajes tradicionais e vistosos que dão indescritível brilho a esta representação. Os cajados decorados com fitas coloridas e as pandeiretas completam o quadro pastoril. Os anjos que vão aparecendo sobre uma nuvem, que vai subindo e descendo conforme a cena a representar, confere igualmente um toque de grande originalidade e engenho a este auto.

Outrora puxado por duas juntas de bois, tradição recuperada parcialmente nos últimos anos, o carro dos Pastores vai circulando pelas ruas da cidade, desde as 09h00 até 16h00, em conjunto com o Carro do Rei David e o Carro das Ervas, sendo sem dúvida a mais bela e elegante alegoria ao São João, conservada como memória viva da Sagrada Escritura.


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