Corrida do Porco Preto

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A corrida do porco preto é o grande destaque das mais antigas crónicas referentes ao São João em Braga. Estes relatos permitem-nos confirmar que a corrida do porco era efetivamente o evento mais original dos festejos sanjoaninos Bracarenses. Era tal a sua relevância, que detinha honras de acompanhamento com a bandeira municipal. Efectivamente, esta tradição, constante nas sucessivas actas camarárias do século XVI e primeira metade do século XVII, era a única que não se repetia nos outros momentos festivos da cidade.

Em que consistia, afinal, esta tradição? No primeiro ato, que decorreria na véspera de São João, organizava-se um cortejo liderado pelos cavaleiros – todos os cidadãos que tivessem cavalo não o poderiam emprestar por estes dias e deveriam juntar-se ao cortejo – juntamente com o Rei e Imperador e suas danças, a Mourisca e as Pélas – que eram figuras obrigatórias nos festejos de cariz municipal. Além destes quadros, juntava-se ao cortejo na porta da Sé, os candeleiros das confrarias de S. Tiago e de S. João do Souto com seus mordomos e suas bandeiras, juntamente com os espingardeiros, e a serpe e cavalinhos. Neste cortejo figuraria, em primeiro plano, a bandeira da cidade, que se encontrava no edifício dos Paços do Concelho, defronte da Sé, na chamada Praça do Pão. Após o ato solene da saída da bandeira, o cortejo seguia festivamente – provavelmente pela rua do Souto e campo de Santana – para o monte de Santa Margarida (Guadalupe) “onde era costume emprazar o porco”, ou seja, onde o porco seria cercado e preso para, na madrugada do dia seguinte, ser levado “além da ponte de Guimarães”. No final, regressavam pelos “lugares costumados” até junto da capela de S. Sebastião das Carvalheiras, onde era servido um beberete preparado pelos mordomos da Mourisca e, segundo a crónica citada por Camilo Castelo Branco, se procedia à entrega de cestinhos de frutas aos cavaleiros que tomaram parte do cortejo. O segundo ato decorria na madrugada do dia 24 de junho.Novamente se organizava um cortejo, com os mesmos moldes do dia anterior e liderado pelos cavaleiros, a partir dos Paços do Concelho, de onde saía solenemente a bandeira da cidade. Chegados à ponte de Guimarães, dar-se-ia início à competição. Montados no cavalo seguiriam os sapateiros da cidade, que deveriam perseguir o porco até ao rio, e, sobre a ponte, estariam os moleiros, provavelmente residentes nas redondezas do rio Este. O objetivo era conquistar o direito ao porco. Os moleiros tentariam que o porco atravessasse o rio, enquanto os sapateiros tentariam que este seguisse para a ponte.


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